Perdido em reflexões eu, cabisbaixo, andava pelas deserticas ruas, iluminadas por luzes amerelas, que davam à mim uma sensação de solidão, de quietude, de tristeza.
Andava eu ainda quando avistei uma grande praça pública com um pátio enorme, várias árvores de toda espécie e proporcionais bancos onde, eventualmente, se encontravam moradores de rua a dormir, conversar, entre outras coisas.
Quando cheguei ao meio do gigantesco pátio percebi um banco desocupado debaixo de uma árvore, a qual tinha toda a sua beleza transformada em uma imagem melancólica pela luz sépia que vinha dos postes de luz e banhava a noite.
Me aproximei e me juntei à paisagem taciturna me sentando no banco coberto pela sombra da árvore de beleza abatida.
Depois de alguns minutos descobri-me extremamente cansado então me deitei a contemplar as verde-amarelado folhas da árvore.
- Quem diria que nos cansamos na pós-vida - comentei comigo mesmo enquanto cerravam-se, cada vez mais, os meus olhos
Gradualmente minha consciência foi desvancendo enquanto permanecia a minha visão das folhas até que adormeci tendo como testemunhas apenas a folhagem sobre mim e o banco à baixo de minhas costas.
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Luz.
Luz do Sol.
Gente.
Gente falando.
Passos.
Passos apressados.
Folhas.
Uma árvore.
Um banco.
Uma grande praça.
Uma grande praça com muita gente passando por ela.
Essa foi a primeira visão que tive quando acordei.
Multidões de pessoas que vinham de todos os lados e iam para todos os lados passavam pelo colossal centro da praça fazendo barulho com seus sapatos no chão de paralelepípedos.
Um dia normal.
No cansaço e desânimo com que estava na madrugada anterior eu não fora capaz de reconhecer porém naquele momento, descansado e agraciado pela luz diurna, reconheci a praça.
Tratava-se de uma famosa praça em minha cidade, pela qual milhares, até milhões, de pessoas tinham de passar todos os dias para chegarem aos seus serviços.
A praça também era palco de vários eventos devido à seu grande pátio, além de abrigar uma das igrejas mais antigas da cidade.
Sentei-me no banco e logo espreguicei-me e estralei as costas(dormir em um banco não tinha se mostrado uma coisa muito confortável).
Olhei em volta analisando as pessoas que se encontravam na praça.
O lugar abrigava todo o tipo de gente.
Comerciantes com suas lojas às margens da praça.
Engravatados se dirigindo à seus trabalhos.
Compradores com suas sacolas.
Turistas com seus óculos e câmeras.
Além de uma quantidade considerável de mendicantes.
Procrastinava eu para levantar-me do banco quando vi um morador de rua que se sentava no banco ao meu lado.
Percebia-se que ele era jovem mas tinha uma aparência doente, cansada, magra, de forma que poderia-se facilmente confundí-lo com um cadáver ou um velho à beira da morte por ser quase totalmente esquelético e sujo.
Ele olhava para as pessoas com um olhar distante, como se nem estivesse naquele mundo. Seus olhos castanhos vazios miravam o completo nada enquanto este permanecia completamente imóvel, exceto por sua lenta e eventual respiração.
Aquela figura me intrigava. O que poderia fazer um jovem daqueles ter aquela aparência? O que poderia faze-lo ter um olhar tão vazio? Pelo que aquele morador de rua tinha passado para acabar daquela forma?
Assim eu me indagava, mas, no meio de minhas indagações, me surpreendi quando vi o curioso homem se levantar e começar a andar sem razão aparente.
Fiquei olhando-o por um tempo me perguntando o que teria-o feito levantar-se e finalmente decidi seguí-lo a fim de descobrir as respostas para as questões que me importunavam.
Então o segui o homem que olhava para o nada pela cidade a dentro, pelo nada a dentro.